Treino véspera de jogo (MD-1) e treino de recuperação (MD+1)
O treino da véspera de jogo e o treino do dia seguinte são as sessões mais curtas da semana e das mais fáceis de errar. Na véspera (MD-1) o objetivo é chegar ao jogo ativado e com as ideias claras, sem fadiga; no dia seguinte (MD+1), recuperar quem jogou e dar estímulo a quem jogou pouco. Este artigo descreve as duas sessões em detalhe, para equipas sénior, sub-19 e sub-17, e explica como adaptá-las a equipas amadoras que treinam três vezes por semana.
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Neste artigo
MD-1 e MD+1: onde ficam no microciclo semanal
Na nomenclatura habitual, MD é o dia de jogo (match day), MD-1 a véspera e MD+1 o dia seguinte. Numa equipa que joga ao domingo e treina cinco vezes, o MD+1 é segunda-feira e o MD-1 sábado. Entre os dois ficam os dias de maior carga (MD-4 e MD-3) e um dia de velocidade e de ajustes táticos (MD-2).
| Dia | Objetivo principal | Duração típica | Esforço (0–10) |
|---|---|---|---|
| MD+1 | Recuperação (titulares) / compensação (suplentes) | 45–60 min | 2–3 / 6–7 |
| MD+2 | Folga ou recuperação | — | — |
| MD-4 | Força e duelos, espaços reduzidos | 75–90 min | 7–8 |
| MD-3 | Resistência específica, espaços grandes | 75–90 min | 7–8 |
| MD-2 | Velocidade, ajustes táticos | 60–70 min | 5–6 |
| MD-1 | Ativação, bolas paradas, plano de jogo | 45–60 min | 3–4 |
Equipas amadoras com três treinos (por exemplo terça, quinta e sexta para jogo ao domingo) não têm MD+1 coletivo: a terça é MD+2/MD-5 e deve juntar recuperação dos titulares e compensação dos suplentes. A sexta é MD-2, mas funciona como véspera: a sessão MD-1 descrita abaixo serve, com um pouco mais de volume.
Treino véspera de jogo: a sessão MD-1
Objetivo: chegar ao jogo com o sistema neuromuscular ativado, sem fadiga acumulada, e com o plano de jogo e as bolas paradas frescos na cabeça. Duração: 50 a 55 minutos. Princípio: volume baixo, intensidade alta em ações muito curtas, pausas completas. Nada de exercícios novos: a véspera é dia de confirmar, não de aprender.
| Parte | Tempo | Exercício | Objetivo |
|---|---|---|---|
| Ativação | 12 min | Mobilidade dinâmica + rondos 5x2 | Toque, ritmo, boa disposição |
| Velocidade | 8 min | Reação 1x1 a sinal, 10–15 m | Ativação neuromuscular |
| Plano de jogo | 15 min | Ensaio a meio ritmo contra a estrutura do adversário | Lembrar referências e gatilhos |
| Bolas paradas | 12 min | Cantos e livres, ofensivos e defensivos | Rotinas e marcações |
| Fecho | 5 min | Remates curtos e conversa | Confiança |
Ativação com rondos 5x2 (12 min)
Depois de 5 minutos de mobilidade e corrida com mudanças de direção, rondos 5x2 em 15×15 m, a dois toques. 4 séries de 90 s, 30 s de pausa. Os defensores trocam quando recuperam. A intensidade é dada pela pressão a dois, mas o volume é curto: ninguém deve terminar ofegante.
Velocidade de reação 1x1 (8 min)
- Organização: pares lado a lado, deitados ou de costas, a 12 m de uma bola colocada pelo treinador entre duas minibalizas.
- Regras: ao sinal, os dois arrancam; quem chega primeiro ataca uma das minibalizas, o outro defende. Máximo 6 segundos.
- Carga: 6 repetições por jogador, 45–60 s de pausa entre repetições. Distâncias de 10 a 15 m, nunca mais.
- Pontos de foco: primeiro passo explosivo, corpo baixo, travagem controlada.
Plano de jogo e bolas paradas a meio ritmo
O ensaio do plano de jogo na véspera é feito a meio ritmo, com a equipa titular contra um grupo que reproduz a estrutura do adversário. O objetivo não é cansar: é que cada jogador veja onde estão as referências no domingo.
- Organização: 11 contra 10 ou 11 em meio-campo e meio, com o grupo de suplentes a reproduzir o bloco e os gatilhos de pressão do adversário (aqui, um 4-4-2 com os avançados a pressionar os centrais).
- Sequência: 3 a 4 situações, cada uma repetida 3 vezes: saída de bola contra a pressão, ataque contra o bloco médio, transição defensiva depois da perda.
- Ritmo: passes a velocidade de jogo, deslocações a 50–60%. O treinador para, mostra a referência e volta a pôr a bola em jogo.
- Duração: 15 minutos, no máximo.
Bolas paradas (12 min)
Duas ou três rotinas ofensivas (um canto, um livre lateral) e a organização defensiva de cantos e livres, cada uma repetida 2 a 3 vezes. Cada jogador sabe a sua posição e a sua tarefa; quem marca quem fica escrito no quadro do balneário. Os remates e cabeceamentos sem disputa forte: a véspera não é dia de choques. Para a parte de conteúdos, ver bolas paradas de alto nível.
Fecho (5 min): remates de fora da área a 80%, três por jogador, e duas frases do treinador. Os jogadores devem sair do treino com vontade de jogar, não cansados.
Guarda-redes no MD-1: 15 minutos de trabalho específico com pegas, deslocações curtas, algumas defesas com queda controlada e jogo com os pés, sem séries de mergulhos. Participa no ensaio do plano de jogo (é ele quem inicia a saída de bola) e nas bolas paradas defensivas, onde a comunicação com a defesa é o ponto principal.
A dimensão mental. A véspera é também o dia em que o grupo forma a sua expectativa para o jogo. Convocatória comunicada de forma clara, papel de cada jogador explicado antes do treino e não no fim, uma mensagem principal em vez de dez. Os suplentes que vão entrar a meio do jogo precisam de saber em que cenário e com que tarefa: isso também se prepara no MD-1.
Fechar um ciclo de treinos com um torneio interno ou um convívio com clubes vizinhos dá aos jogadores um objetivo e muitos minutos de jogo. O gerador de calendário de torneio faz os jogos e as horas em minutos, sem registo, e os formatos para 8, 12 e 16 equipas ajudam a escolher o modelo.
Treino de recuperação no MD+1: quem jogou
Para quem: jogadores com mais de 60 minutos no jogo. Objetivo: acelerar a recuperação, avaliar o estado de cada jogador e manter o contacto com a bola sem impacto. Duração: 40 a 45 minutos. Esforço 2–3.
- Conversa individual (5 min): dor, pancadas, qualidade do sono. Quem tem uma queixa vai ao departamento médico antes de começar.
- Exercício aeróbio ligeiro (12 min): bicicleta, trote ou piscina, se o clube tiver acesso. Ritmo em que se consegue conversar.
- Mobilidade e ativação (10 min): ancas, tornozelos, coluna; exercícios de core sem carga; alongamentos suaves.
- Rondos sem pressão (10 min): 6x2 ou 7x2 a dois toques em 15×15 m, sem desarmes. Serve para mexer as pernas e para o grupo comentar o jogo de forma informal.
- Fecho: hidratação e indicações para o dia de folga (sono, alimentação).
Corridas intervaladas, jogos reduzidos e trabalho de força pesado não fazem parte desta sessão. O treino da recuperação é sobretudo descanso orientado.
Treino de compensação no MD+1: quem jogou pouco
Para quem: suplentes que entraram menos de 30 minutos e jogadores que não jogaram. Objetivo: dar-lhes parte da carga do jogo que não tiveram, em especial ações de alta intensidade e corrida em velocidade, para que não percam forma ao longo das semanas. Duração: 50 a 60 minutos. Esforço 6–7.
- Aquecimento (12 min): mobilidade, rondo 5x2, acelerações progressivas.
- Jogo 5x5 com guarda-redes em 40×30 m (16 min): 4 séries de 3 min, 1 min de pausa. Golo depois de recuperação no meio-campo ofensivo vale 2.
- Corrida em velocidade (8 min): 6 a 8 corridas de 25 a 30 m a 90–95%, com 60–90 s de pausa. Substitui as ações de alta velocidade que o jogo teria dado.
- Finalização (10 min): remates depois de combinação, em vagas de 2x1.
- Retorno à calma (5 min).
Como adaptar
- Sub-17 e sub-19: a mesma lógica, com menos corridas em velocidade (4 a 6) e mais tempo de jogo reduzido; atenção à carga escolar e ao sono.
- Equipas amadoras sem MD+1: no primeiro treino da semana, os titulares fazem a sessão de recuperação durante 30 minutos e juntam-se depois aos exercícios técnicos; os suplentes fazem a compensação completa.
- Poucos suplentes: juntar jogadores de outro escalão ou fazer 3x3+GR com apoios; se não houver número, a compensação faz-se com corrida intermitente com bola e finalização.
- Jogo a meio da semana: o MD+1 do primeiro jogo é o MD-1 do segundo. Recuperação para todos e ativação muito curta; a compensação passa para os suplentes depois do segundo jogo.
Para enquadrar estas duas sessões na semana, ver periodização tática e modelo de jogo e primeira semana de pré-época.
Perguntas frequentes
O que fazer no treino da véspera do jogo?
Uma sessão curta, de 45 a 60 minutos: ativação com rondos, ações de velocidade muito curtas com pausa completa, ensaio do plano de jogo a meio ritmo e bolas paradas. Nada de exercícios novos nem de jogos reduzidos intensos.
Como fazer um treino de recuperação no futebol?
Para quem jogou mais de 60 minutos: conversa sobre dores, 10 a 15 minutos de exercício aeróbio ligeiro, mobilidade, core sem carga e rondos sem pressão. Esforço baixo e duração de 40 a 45 minutos. O objetivo é recuperar, não treinar.
O que é o treino de compensação?
É a sessão para os jogadores que jogaram pouco ou nada, normalmente no dia seguinte ao jogo. Dá-lhes uma parte da carga do jogo: jogos reduzidos intensos e corridas em velocidade. Sem compensação, os suplentes perdem forma ao longo das semanas.
Quanto tempo deve durar o treino na véspera do jogo?
Entre 45 e 60 minutos para séniores e juniores. Mais importante do que a duração é o volume de ações intensas: poucas, muito curtas e com pausas completas.
Os suplentes devem treinar no dia seguinte ao jogo?
Sim. Quem jogou menos de 30 minutos ou não jogou deve fazer uma sessão de compensação, com jogos reduzidos intensos e corridas em velocidade, enquanto os titulares fazem recuperação. Em equipas amadoras sem treino no dia seguinte, a compensação faz-se no primeiro treino da semana.