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Formação

Futebol feminino na formação: equipas mistas, captação e treino

O futebol feminino na formação cresce quando o clube cria condições para as raparigas começarem e, sobretudo, para continuarem: um lugar nas equipas mistas dos escalões mais novos, colegas da mesma idade, treinadores atentos e um caminho claro até uma equipa feminina. Em Portugal, o regulamento da FPF permite equipas mistas de petizes a juvenis. Este artigo explica as regras, dá ideias de captação e mostra como organizar o treino sem estereótipos.

Jogadoras de futebol durante um jogo num relvado
Foto: Netherlands women's national football team training in 2018 III — Emma Coolen · CC0 · Wikimedia Commons

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Neste artigo
  1. Equipas mistas no futebol: o que dizem as regras em Portugal
  2. Porque é que vale a pena investir no futebol feminino
  3. Captar raparigas para o futebol
  4. Manter as jogadoras ao longo dos anos
  5. Adaptar o treino sem estereótipos
  6. Quando criar uma equipa feminina

Equipas mistas no futebol: o que dizem as regras em Portugal

O Regulamento do Estatuto, da Categoria, da Inscrição e Transferência de Jogadores da FPF (artigo 8.º, n.º 5) estabelece que as equipas dos escalões de petizes, traquinas, benjamins, infantis, iniciados e juvenis podem ser compostas por jogadores femininos e masculinos. Ou seja, uma rapariga pode jogar numa equipa mista até ao sub-17, nos termos do regulamento de cada prova.

Ao mesmo tempo, as associações organizam cada vez mais competições só femininas na formação, muitas vezes em futebol 7 ou futebol 9 nos escalões mais novos. Como a oferta varia muito de distrito para distrito, o primeiro passo é ler o comunicado oficial da associação e perguntar que provas femininas existem na região e se uma jogadora pode estar inscrita numa equipa mista e participar também em atividades femininas.

Porque é que vale a pena investir no futebol feminino

A seleção nacional feminina esteve no seu primeiro Campeonato da Europa em 2017 e no seu primeiro Mundial em 2023. Esses momentos tornaram o futebol feminino mais visível e trouxeram mais raparigas aos clubes. Muitas delas chegam sem experiência anterior, às vezes com 10 ou 12 anos, o que exige uma porta de entrada adaptada.

Para o clube, o futebol feminino alarga a base de praticantes, atrai famílias novas e envolve mais mulheres como treinadoras e dirigentes. Também é uma forma de cumprir o que se espera de um clube de formação: dar a todas as crianças a possibilidade de jogar.

Captar raparigas para o futebol

  • Treinos abertos «traz uma amiga». Uma sessão por mês em que cada jogadora pode trazer uma amiga. Muitas raparigas não começam sozinhas, começam com alguém.
  • Ligação às escolas. Contactar o desporto escolar e os professores de educação física; propor uma sessão de demonstração.
  • Horários compatíveis. Treinos em horários razoáveis e num campo com balneário próprio ou separado.
  • Treinadoras e modelos. Ter mulheres na equipa técnica e convidar jogadoras de equipas seniores do clube ou da região para treinos com as mais novas.
  • Comunicação inclusiva. Fotografias e cartazes do clube com raparigas, convites que digam explicitamente que o treino é para meninas e meninos.
  • Equipamentos adequados. Tamanhos certos e, quando possível, calções escuros e opções de equipamento confortáveis.

As associações e a FPF também têm medidas para aumentar o número de treinadoras, como descontos ou bolsas em cursos. Um clube que forma treinadoras cria modelos e estabilidade para as equipas femininas.

Manter as jogadoras ao longo dos anos

Captar é a parte fácil. O maior desafio é manter as jogadoras quando chegam à adolescência. Estudos em vários países apontam razões semelhantes para o abandono: falta de confiança, receio de ser julgada, sentir-se sozinha, falta de colegas da mesma idade e ambientes onde não se sentem bem-vindas.

  • Não deixar uma rapariga sozinha numa equipa se houver alternativa: agrupar duas ou três jogadoras na mesma equipa mista ajuda muito. O artigo sobre uma menina numa equipa de rapazes aprofunda este caso.
  • Criar momentos só femininos (um treino por semana, encontros com outros clubes) mesmo quando ainda não há equipa feminina.
  • Minutos e funções iguais aos dos colegas, com os mesmos critérios.
  • Ouvir as jogadoras sobre horários, balneários, equipamento e ambiente.
  • Planear a transição para uma equipa feminina quando o número de jogadoras o permitir, e explicar esse caminho às famílias.

Adaptar o treino sem estereótipos

Os princípios do treino são os mesmos para raparigas e rapazes: muito tempo com bola, jogos reduzidos, decisões, desafio adequado. O que muda é o ponto de partida: muitas raparigas começam mais tarde e com menos horas de jogo informal na rua ou no recreio. A solução não é baixar a exigência, é dar mais contacto com a bola.

Exercício: 1x1 com escolha de baliza

  • Organização: quadrado de 15x15 m com quatro mini-balizas, duas por lado. Filas em lados opostos.
  • Regra: o treinador passa a bola; quem recebe ataca uma das duas balizas à sua frente, o colega defende. 20 segundos por duelo.
  • Foco do treinador: receção para o espaço livre, mudança de direção, coragem no duelo.
  • Variante: 2x1 para quem está a começar, 2x2 para as mais experientes.

Exercício: aterragens e mudanças de direção

  • Organização: circuito de 5 minutos no aquecimento, com saltos para a frente e para o lado, receção com os joelhos alinhados com os pés, e mudanças de direção travando em dois apoios.
  • Porquê: numa revisão sistemática publicada no British Journal of Sports Medicine em 2019 (Montalvo e colegas), a taxa de lesão do ligamento cruzado anterior no futebol foi mais elevada nas mulheres do que nos homens. Os programas de aquecimento da FIFA incluem este tipo de trabalho: o 11+ Kids, pensado para crianças dos 7 aos 13 anos, e o FIFA 11+ para as idades seguintes. Servem para raparigas e rapazes.
  • Foco do treinador: joelhos que não «caem» para dentro na aterragem, tronco controlado.

Nos escalões de iniciação, o treino pode ser igual para todos. A partir da puberdade, as diferenças de maturação aumentam entre colegas, de ambos os sexos. Gerir essas diferenças (agrupar por nível em certos exercícios, ajustar cargas) é trabalho normal do treinador, não um tratamento especial.

Quando criar uma equipa feminina

Não há um número mágico, mas uma equipa de futebol 7 precisa de pelo menos 10 a 12 jogadoras regulares para aguentar faltas e lesões. Até lá, há soluções intermédias:

  1. Jogadoras em equipas mistas do seu escalão, agrupadas em duas ou três por equipa.
  2. Treino feminino semanal com jogadoras de vários escalões próximos.
  3. Parcerias com clubes vizinhos para treinos conjuntos e encontros.
  4. Participação em torneios e encontros femininos da associação.
  5. Equipa feminina própria quando houver jogadoras e treinadora ou treinador disponível com continuidade.

Perguntas frequentes

As raparigas podem jogar em equipas masculinas em Portugal?

Sim. O regulamento de inscrição de jogadores da FPF permite que as equipas de petizes, traquinas, benjamins, infantis, iniciados e juvenis sejam compostas por jogadores femininos e masculinos. Convém confirmar no regulamento da prova e na associação as regras específicas da época.

Até que idade pode haver equipas mistas no futebol?

Segundo o regulamento da FPF, até ao escalão de juvenis (sub-17). Nos juniores (sub-19) e seniores, as competições são separadas. As associações podem ter regras próprias para cada prova.

Como começar uma equipa de futebol feminino num clube?

Começar com treinos abertos e ligação às escolas, juntar as jogadoras num treino feminino semanal, procurar uma treinadora ou treinador com continuidade e participar em encontros femininos da associação. A equipa própria surge quando há jogadoras suficientes e regulares.

Fontes

  1. FPF — Regulamento do Estatuto, da Categoria, da Inscrição e Transferência de Jogadores (art. 8.º)
  2. AF Vila Real — Regulamento do Curso UEFA B 2025/26 (desconto para treinadoras no projeto «Elas também treinam»)
  3. Women in Sport — Reframing Sport for Teenage Girls (2022)
  4. Montalvo et al. (2019) — What's my risk of sustaining an ACL injury while playing football (soccer)? British Journal of Sports Medicine
  5. MedicalResearch.com — 11+ Kids programme for 7- to 13-year-old children

Verificado em outubro de 2026. Regras e escalões variam por associação e por época; confirma no regulamento local.