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Organização

Hidratação no futebol jovem: jogar com calor em torneios de verão

A hidratação no futebol jovem depende menos do que se bebe num jogo e mais do que se organiza à volta dele: horários fora das horas de maior calor, pausas para beber marcadas no regulamento, sombra para quem espera e adultos atentos aos sinais de alerta. A Direção-Geral da Saúde considera as crianças um grupo particularmente vulnerável ao calor. Este artigo junta o que o treinador e a organização de um torneio devem prever antes de um dia quente.

Garrafas de água junto ao banco de suplentes num dia de sol
Foto: Un joueur de football buvant de l'eau pour maintenir la forme — Happiraphael · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

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Neste artigo
  1. Porque é que o calor pesa mais nos jogadores mais novos
  2. Horários: o calendário é a primeira medida de proteção
  3. Pausas para hidratação: quando e como
  4. Sombra, roupa e proteção solar
  5. Sinais de alerta e o que fazer
  6. O que a organização de um torneio de verão deve prever
  7. Treinar no verão sem perder a sessão

Porque é que o calor pesa mais nos jogadores mais novos

Um torneio de verão junta três fatores de risco: esforço intermitente e intenso, várias horas ao sol e crianças que raramente param por iniciativa própria. Uma criança de 9 anos concentrada no jogo não se lembra de beber, não diz que tem calor e quer voltar ao campo mesmo quando já está cansada. Por isso, a responsabilidade é dos adultos.

A DGS inclui as crianças, a par dos idosos e dos doentes crónicos, nos grupos que merecem especial atenção nos dias quentes. As recomendações gerais são simples: beber água com regularidade mesmo sem sede, evitar bebidas açucaradas, evitar a exposição direta ao sol entre as 11h e as 17h e não fazer atividade física intensa nas horas de maior calor. Num torneio de futebol, cada uma destas frases tem uma tradução prática.

Horários: o calendário é a primeira medida de proteção

A decisão que mais reduz o risco é tomada semanas antes, quando se faz o calendário de jogos. Num torneio de um dia em julho, concentrar os jogos de manhã e no fim da tarde, com uma pausa longa ao almoço, protege mais do que qualquer garrafa de água.

PeríodoProposta para um dia quente
8h30 – 11h00Fase de grupos: a maior parte dos jogos, sobretudo dos escalões mais novos
11h00 – 16h30Sem jogos ou só jogos em campos com sombra; almoço, descanso, atividades à sombra
16h30 – 20h00Fases finais, jogos de classificação e entrega de prémios
  • Encurtar os jogos. Num dia de calor, 2x10 minutos ou 1x15 minutos chegam para benjamins e traquinas, sobretudo se jogam quatro ou cinco vezes.
  • Garantir descanso entre jogos. Pelo menos o tempo de um jogo entre duas partidas da mesma equipa. O calendário de jogos em vários campos explica como distribuir os intervalos.
  • Consultar os avisos do IPMA nos dias anteriores. Com aviso laranja ou vermelho por tempo quente, a organização deve rever horários ou adiar.
  • Ter um plano B escrito no regulamento: quem decide encurtar jogos ou suspender o torneio e como se comunica a decisão.

Pausas para hidratação: quando e como

No futebol profissional, as pausas para beber já fazem parte do jogo. No Mundial de 2026, a FIFA decidiu parar todos os jogos cerca do minuto 22 de cada parte, durante três minutos, independentemente da temperatura. Antes, as pausas dependiam de um índice de calor (WBGT), com um limiar que chegou a estar nos 32 °C. Se adultos profissionais param, um jogo de infantis num sintético a meio da manhã também deve parar.

Regras práticas para o torneio

  • Em jogos de 2x10 ou mais, uma pausa de 1 a 2 minutos a meio de cada parte, marcada pelo árbitro numa paragem natural.
  • Em jogos de uma só parte, uma pausa a meio.
  • Água em todas as substituições: quem sai bebe antes de se sentar.
  • Cada jogador com a sua garrafa identificada com o nome. Evita partilhas e permite ver quem não está a beber.
  • Água como bebida principal. Sumos e refrigerantes não são a solução para a sede durante o jogo.
  • Beber antes do aquecimento, durante e depois de cada jogo, não só quando se lembram.

O treinador pode usar a pausa para uma indicação curta, mas o objetivo é beber e arrefecer. Os jogadores devem ir para a sombra mais próxima, se houver, e não ficar de pé ao sol à volta do treinador.

Sombra, roupa e proteção solar

Num torneio, os jogadores passam mais tempo à espera do que a jogar. Esse tempo de espera ao sol é o que mais pesa no fim do dia. A organização deve garantir zonas de sombra para as equipas entre jogos, e o treinador deve levar a equipa para lá em vez de a deixar a ver os outros jogos encostada à rede.

  • Tendas ou toldos junto aos campos, uma por cada duas ou três equipas, se não houver sombra natural.
  • Banco de suplentes coberto ou com guarda-sol.
  • Boné ou chapéu fora do campo e roupa leve e clara entre jogos.
  • Protetor solar com fator 30 ou superior, aplicado antes de sair de casa e reaplicado de 2 em 2 horas, como recomenda a DGS. Pedir aos pais que o coloquem na mochila.
  • Toalhas molhadas e água fresca para molhar a nuca e os braços nas pausas.
  • Não deixar jogadores nem garrafas dentro de carros estacionados ao sol.

Os relvados sintéticos aquecem muito mais do que a relva natural ao sol do meio-dia. Se o torneio tiver campos de piso diferente, pôr os jogos do período mais quente nos campos de relva ou com sombra.

Sinais de alerta e o que fazer

O treinador não tem de fazer diagnósticos, mas tem de reconhecer quando um jogador não está bem e tirá-lo do jogo. Os sinais que a DGS associa à desidratação e ao calor excessivo incluem:

  • dor de cabeça, tonturas ou náuseas;
  • boca e pele secas, cansaço fora do habitual;
  • cãibras ou fraqueza muscular;
  • pele muito quente e vermelha, ou pálida e húmida;
  • confusão, discurso estranho, desequilíbrio ou perda de consciência.
  1. Retirar o jogador do jogo e levá-lo para a sombra ou para um local fresco.
  2. Pedir ajuda ao posto de primeiros socorros do torneio.
  3. Arrefecer: molhar a pele com água fresca, abanar, aliviar a roupa.
  4. Se estiver consciente e sem vómitos, dar água em pequenos goles.
  5. Se houver confusão, convulsões ou perda de consciência, ligar 112 de imediato.
  6. Em caso de dúvida sobre sintomas ligeiros, a linha SNS 24 (808 24 24 24) dá orientação.

Um jogador que teve sintomas não volta a jogar nesse dia. Os pais devem ser avisados logo, e a decisão de voltar a treinar nos dias seguintes deve ser tomada com o médico de família se os sintomas forem além de um mal-estar passageiro.

O que a organização de um torneio de verão deve prever

Quem organiza responde pela segurança de centenas de crianças durante um dia inteiro. Além do que está na checklist do dia do torneio, um torneio entre junho e setembro precisa de pontos específicos:

  • Pontos de água acessíveis junto a todos os campos, para encher garrafas sem filas.
  • Posto de primeiros socorros com pessoa responsável identificada, gelo, toalhas e um local fresco para deitar um jogador.
  • Sombra para equipas e para o público: as bancadas descobertas ao meio-dia também afetam avós e irmãos mais novos.
  • Regulamento com cláusula de calor: pausas obrigatórias, possibilidade de encurtar jogos e quem decide.
  • Informação enviada aos clubes antes do dia: levar garrafa identificada, boné, protetor solar, roupa de troca e lanche (fruta e sandes, não só bolachas).
  • Anúncios no sistema de som a lembrar as equipas de beber, sobretudo a partir das 11h.
  • Árbitros incluídos no plano: também correm ao sol e muitas vezes não têm pausas entre jogos.

Treinar no verão sem perder a sessão

Nas pré-épocas de agosto e nos treinos de junho, o calor também conta. Treinar ao fim da tarde ou de manhã cedo resolve a maior parte dos casos. Quando não é possível, ajustar a sessão:

  • pausas de 1 a 2 minutos para beber a cada 15 minutos;
  • exercícios de duração mais curta, com mais tempo de recuperação entre séries;
  • trabalho técnico e rondos à sombra no início, jogo reduzido no fim, quando a temperatura baixa;
  • nas primeiras sessões depois das férias, intensidade progressiva: o corpo precisa de alguns dias para se habituar ao calor.

Uma boa regra para o treinador: se os adultos à beira do campo estão desconfortáveis à sombra, os jogadores ao sol estão pior. Encurtar um treino num dia de calor não atrasa a época.

Perguntas frequentes

As crianças podem jogar futebol com calor?

Podem, com cuidados. O essencial é evitar as horas de maior calor (a DGS recomenda evitar o sol direto entre as 11h e as 17h), fazer pausas para beber, garantir sombra entre jogos e vigiar sinais de alerta. Com aviso laranja ou vermelho do IPMA por tempo quente, o mais prudente é alterar os horários ou adiar.

O que deve um jogador beber durante um torneio de futebol?

Água, em pequenos goles e com regularidade, mesmo sem sede. A DGS desaconselha bebidas açucaradas e alcoólicas nos dias de calor. Em casos específicos, como doenças crónicas, a família deve seguir a orientação do médico.

Quanto tempo deve durar uma pausa para hidratação no futebol?

Em jogos de formação, uma pausa de 1 a 2 minutos a meio de cada parte é suficiente para beber e arrefecer. No Mundial de 2026, a FIFA aplicou pausas de três minutos por volta do minuto 22 de cada parte, em todos os jogos.

Quais são os sinais de alerta de calor excessivo num jogador?

Dor de cabeça, tonturas, náuseas, boca seca, cansaço anormal, cãibras e, em casos graves, confusão ou perda de consciência. O jogador deve sair do jogo, ir para a sombra e ser arrefecido. Se houver confusão ou perda de consciência, ligar 112.

Fontes

  1. DGS — Recomendações para dias de calor (cartaz divulgado pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira)
  2. Ahram Online — World Cup to include 3-minute hydration breaks in each half of all games
  3. IPMA — Avisos meteorológicos
  4. SNS 24 — Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde

Verificado em outubro de 2026. Regras e escalões variam por associação e por época; confirma no regulamento local.