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Formação

Respeitar o árbitro no futebol de formação: guia para clubes

Respeitar o árbitro não é aceitar tudo em silêncio. É perceber que, sem árbitro, não há jogo, e que no futebol de formação muitas vezes quem apita é um jovem de 15 ou 16 anos ou um voluntário do clube. O comportamento do banco e da bancada define o ambiente em que as crianças aprendem. Este guia mostra o que cada parte pode fazer, antes, durante e depois do jogo.

Árbitro de futebol num jogo amador com o apito na mão
Foto: Robert Koren booked — Jon Candy from Cardiff, Wales · CC BY-SA 2.0 · Wikimedia Commons

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Neste artigo
  1. Porque é que o respeito pelo árbitro é uma questão de formação
  2. Árbitros jovens: quem está a apitar o jogo dos teus filhos
  3. O que os jogadores devem fazer quando discordam
  4. O exemplo do treinador no banco
  5. Os pais e a bancada
  6. Depois de uma decisão errada: o que fazer
  7. Como respeitar o árbitro na rotina do clube

Porque é que o respeito pelo árbitro é uma questão de formação

As crianças copiam o que veem. Se o treinador passa o jogo a gesticular para o árbitro, os jogadores aprendem que a culpa de um golo sofrido é de outra pessoa. Se os pais gritam a cada falta, os jogadores aprendem que protestar faz parte do jogo. Nenhuma destas lições ajuda a jogar melhor.

Há também uma razão prática. Clubes e associações queixam-se com frequência de falta de árbitros para os jogos de formação, e quem passa pela arbitragem conhece bem o desgaste de ser insultado ao fim de semana. Cada árbitro que desiste é um jogo que fica sem árbitro oficial ou que passa a ser apitado por um dirigente à pressa.

O Plano Nacional de Ética no Desporto, do IPDJ, promove há vários anos o Cartão Branco, um cartão que reconhece gestos de fair play em vez de os castigar. É um bom ponto de partida para conversar com a equipa: o jogo também premeia o comportamento, não apenas o resultado.

Árbitros jovens: quem está a apitar o jogo dos teus filhos

Nos traquinas, benjamins e infantis, quem apita é muitas vezes um árbitro em início de carreira, inscrito no conselho de arbitragem da associação distrital, ou um elemento do clube visitado. Em torneios, é frequente haver árbitros de escalões juvenis ou treinadores de outras equipas a apitar.

Isto muda a forma como devemos reagir aos erros. Um árbitro jovem está a aprender, tal como os jogadores. Vai falhar foras de jogo, vai demorar a decidir uma vantagem, vai esquecer-se de uma substituição. A diferença é que o jogador que falha um passe ouve um "vamos lá", e o árbitro que falha uma falta ouve, demasiadas vezes, insultos.

  • Antes do jogo: o treinador e o delegado cumprimentam o árbitro, confirmam a duração, as substituições e as regras específicas (por exemplo, reposição pelo guarda-redes ou fora de jogo no futebol de 9).
  • No intervalo: se há uma dúvida de regulamento, pergunta-se com calma e longe dos jogadores.
  • No fim: os jogadores cumprimentam o árbitro, ganhem ou percam. É um hábito que se treina.

O que os jogadores devem fazer quando discordam

Uma regra simples funciona bem até aos infantis: quem fala com o árbitro é o capitão, e só com calma. Os restantes jogadores voltam à posição. Um jogador que protesta está, na prática, fora do jogo durante esses segundos. Muitas vezes, o golo sofrido a seguir a uma decisão polémica nasce precisamente desse protesto.

Vale a pena ensinar isto no treino, não apenas no balneário. Em jogos reduzidos, o treinador pode apitar de propósito decisões duvidosas e observar a reação. Quem protesta perde a bola para a outra equipa; quem reage logo e volta à posição ganha um ponto extra. Em duas ou três semanas, a reação muda.

Exercício: o árbitro que se engana

  • Organização: 4x4 ou 5x5 num espaço de 30 x 25 m, com balizas pequenas, 4 períodos de 4 minutos.
  • Regra: o treinador apita duas ou três decisões erradas por período, sem avisar.
  • Pontuação: golo vale 1 ponto; se a equipa prejudicada recupera a posição em menos de 3 segundos sem protestar, ganha 1 ponto extra.
  • Pontos de foco: reação imediata, comunicação positiva entre colegas, capitão a fazer de porta-voz.
  • Adaptação por idade: nos traquinas, uma decisão errada por período e explicação no fim; nos iniciados, pode juntar-se a figura do capitão que pede esclarecimento de forma educada.

O exemplo do treinador no banco

O treinador é a pessoa mais observada do campo. Pais e jogadores ajustam o tom pelo dele. Se o treinador aceita as decisões e passa logo à instrução seguinte, a bancada tende a acalmar. Se o treinador reage com gestos largos, a bancada amplifica.

  1. Falar para a equipa, não para o árbitro. Depois de uma decisão contrária, a primeira frase deve ser uma instrução de jogo: "Posição!", "Zona!", "Atenção à segunda bola".
  2. Corpo neutro. Braços em baixo, sem virar costas ao árbitro, sem abanar a cabeça para a bancada.
  3. Uma conversa por jogo, no máximo. Se é mesmo necessário, ao intervalo ou no fim, com o delegado presente e num tom normal.
  4. Pedir aos adjuntos o mesmo. Um adjunto a protestar desfaz o trabalho do treinador principal.
  5. Corrigir o próprio clube. Quando um pai do clube insulta o árbitro, é o clube que deve intervir primeiro, não o adversário.

Os cursos de treinador abordam este tema, mas na prática aprende-se mais com o hábito. Uma forma útil é o treinador pedir a um adjunto que registe, num jogo, quantas vezes se dirigiu ao árbitro. O número costuma surpreender.

Os pais e a bancada

Na formação, a maioria dos insultos ao árbitro vem da bancada. Raramente é má intenção; é tensão acumulada e falta de noção do efeito que tem em campo. Uma reunião no início da época com regras claras resolve uma parte do problema. A outra parte resolve-se com acompanhamento: um coordenador ou delegado que fala com o pai em causa, em privado, no próprio dia.

  • Apoiar a equipa e os jogadores, sem comentar o árbitro.
  • Não dar instruções técnicas a partir da bancada.
  • Aplaudir boas jogadas das duas equipas.
  • Falar de uma decisão polémica só em casa, e de forma que a criança perceba que o erro faz parte do jogo.

O artigo sobre os pais na bancada desenvolve este tema, incluindo um código de conduta e sugestões para a conversa no caminho para casa.

Depois de uma decisão errada: o que fazer

Erros de arbitragem vão acontecer, alguns com influência no resultado. A questão é o que a equipa faz com eles. Nos escalões de formação, o resultado de um jogo raramente decide alguma coisa importante. O que se aprende com a reação, sim.

MomentoO que fazerO que evitar
Logo a seguirInstrução de jogo, reorganizar a equipaProtestos, gestos para a bancada
Ao intervaloFalar do que a equipa controlaDiscurso de injustiça no balneário
No fim do jogoCumprimentar árbitro e adversárioConfrontar o árbitro no túnel ou no parque
No treino seguinteRever a jogada como situação de jogoRepetir a queixa à frente dos jogadores
Se for graveRelatório escrito do delegado à associaçãoPublicações nas redes sociais

Quando um comportamento do árbitro for mesmo inaceitável, há canais próprios: o relatório do delegado ao jogo e o contacto com a associação distrital. Uma publicação nas redes sociais do clube só agrava o problema e expõe um jovem que, provavelmente, não está preparado para isso.

Como respeitar o árbitro na rotina do clube

  • Árbitro por um dia: nos treinos, jogadores mais velhos apitam jogos reduzidos dos mais novos. Percebem a dificuldade e ganham empatia.
  • Convite ao conselho de arbitragem: muitas associações têm árbitros disponíveis para uma sessão sobre as leis do jogo com jogadores e pais.
  • Corredor de cumprimentos: no fim de cada jogo, as duas equipas e o árbitro cumprimentam-se em linha.
  • Reconhecimento interno: no fim da época, destacar o jogador com melhor comportamento, não só o melhor marcador.
  • Regras escritas: as normas de conduta para jogadores, pais e equipa técnica devem estar escritas e ser entregues no início da época.

Perguntas frequentes

Como ensinar as crianças a respeitar o árbitro?

Com exemplo e com treino. O treinador não protesta, define que só o capitão fala com o árbitro e treina a reação imediata depois de uma decisão contrária em jogos reduzidos. No fim de cada jogo, os jogadores cumprimentam sempre o árbitro.

O que fazer quando um pai insulta o árbitro?

O clube do pai deve intervir primeiro, através do delegado ou do coordenador, em privado e no próprio dia. As regras de conduta para pais devem estar escritas desde o início da época, para que a conversa tenha uma base clara.

Pode-se reclamar de um árbitro de futebol de formação?

Sim, pelos canais próprios: o relatório do delegado ao jogo e o contacto com a associação distrital. Reclamações em campo ou nas redes sociais não alteram a decisão e criam um ambiente pior para todos.

O que é o Cartão Branco no futebol?

É uma iniciativa do Plano Nacional de Ética no Desporto, do IPDJ, que permite ao árbitro reconhecer publicamente um gesto de fair play. Ao contrário dos cartões amarelo e vermelho, serve para valorizar o bom comportamento.

Fontes

  1. Diário de Notícias — Cartão Branco celebra 10 anos de promoção do fair play no desporto português
  2. IPDJ — Plano Nacional de Ética no Desporto, Código de Ética Desportiva

Verificado em outubro de 2026. Regras e escalões variam por associação e por época; confirma no regulamento local.