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Treino

Treino na véspera do jogo e no dia seguinte: ativação e recuperação

O treino na véspera do jogo serve para chegar ao jogo descansado e ligado, não para ganhar forma física. O treino do dia seguinte ao jogo tem duas funções diferentes no mesmo grupo: recuperar quem jogou muito e dar estímulo a quem jogou pouco. As duas sessões abaixo têm 40 a 55 minutos, servem para sub-17, sub-20 e adultos amadores que jogam no fim de semana e mostram como montar cada parte, quanto tempo dar e o que evitar.

Diagrama do treino do dia seguinte ao jogo: grupo de titulares em recuperação leve com rondo e grupo de reservas em jogo reduzido de compensação

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Neste artigo
  1. A lógica das duas sessões
  2. Véspera do jogo (MD-1): ativação em 50 minutos
  3. Dia seguinte ao jogo (MD+1): dois treinos no mesmo campo
  4. Erros comuns e como corrigir
  5. Como adaptar à sua realidade

A lógica das duas sessões

Na linguagem da periodização, o dia do jogo é o MD (match day). A véspera é o MD-1 e o dia seguinte, o MD+1. No futebol amador e de base no Brasil, muitas vezes o jogo é no sábado ou domingo de manhã e o próximo treino só acontece na terça; nesse caso o “dia seguinte” vira MD+2, mas a lógica de separar quem jogou de quem não jogou continua a mesma.

SessãoObjetivoDuraçãoIntensidadeVolume
MD-1 (véspera)Ativar, rever o plano, confiança45–55 minPicos curtos de velocidadeBaixo
MD+1 titularesRecuperar, soltar, conversar35–45 minBaixaBaixo
MD+1 reservasCompensar o estímulo do jogo45–55 minAlta, em blocosModerado

O que as duas sessões têm em comum: pouco tempo de pé no campo, nenhuma novidade tática complicada e muita atenção ao estado de cada jogador. Na véspera, um exercício novo gera dúvida; no dia seguinte, um treino pesado para quem jogou 90 minutos aumenta o risco de lesão sem nenhum ganho.

Véspera do jogo (MD-1): ativação em 50 minutos

ParteTempoExercícioObjetivo
10–12 minPasse em quadrado com mobilidadeAtivar e entrar no ritmo
212–20 minRondo 5x2 rápidoLigar a cabeça, primeiro toque
320–28 minDuelos de reação 1x1 curtosVelocidade com pausa completa
428–38 minAjuste tático contra oposição passivaRever o plano de jogo
538–50 minBola parada e finalização leveDetalhes e confiança

1. Passe em quadrado com mobilidade (12 min)

Quadrado de 15×15 m, quatro jogadores nos cantos e dois no meio. Os de fora passam para o do meio, que devolve e gira para o próximo canto; quem passa segue a bola. A cada 2 minutos, 30 segundos de mobilidade dinâmica (abertura de quadril, avanço com rotação, deslocamentos laterais). Foco: passe firme no pé certo, comunicação, postura. Nada de corrida contínua.

Passe em quadrado 1 2 3 4 C C 15×15 m · quem passa segue a bola Time A Passe Infiltração / corrida
Esquema 1. Passe em quadrado de 15×15 m: o canto passa para o jogador central, que devolve de primeira e gira para buscar o próximo canto; quem passa segue a bola. Ritmo moderado, foco na qualidade do passe. Abrir na prancheta tática ↗

2. Rondo 5x2 rápido (8 min)

Dois rondos de 12×12 m, dois toques, troca a cada 45 segundos. É o momento de ligar a concentração. Regra: quem perde a bola não discute, entra no meio e pressiona. Bom humor ajuda: véspera de jogo não é dia de cobrança.

3. Duelos de reação 1x1 (8 min)

Dois jogadores lado a lado, deitados de barriga para baixo ou de costas para o campo. O treinador passa a bola para frente; quem chegar primeiro ataca um minigol a 15 m, o outro defende. Volume: 4 a 6 ações por jogador, com pelo menos 60 segundos entre elas. São esforços de 4 a 6 segundos, em velocidade máxima, com recuperação completa: estimulam o sistema nervoso sem cansar.

Duelos de reação 1x1 T Minigol a 15 m Time A Adversário Treinador Passe Infiltração / corrida Condução Pressão
Esquema 2. Duelo de reação: os dois jogadores partem da linha ao passe do treinador, disputam a bola e quem a ganha ataca o minigol a 15 m. Ações curtas, em velocidade máxima, com pausa completa entre elas. Abrir na prancheta tática ↗

4. Ajuste tático contra oposição passiva (10 min)

Onze contra seis ou sete jogadores passivos que reproduzem a saída de bola do adversário. O time revê os gatilhos de pressão combinados na semana: quem sai no zagueiro, quem fecha o volante, para onde empurrar a bola. Três ou quatro repetições por situação, a 60% de intensidade, com o treinador parando para ajustar posições. Não introduza nada novo; reforce o que foi treinado.

Revisão do gatilho de pressão Linha de pressão 9 10 7 5 11 Time A Adversário Condução Pressão
Esquema 3. Revisão do gatilho de pressão contra oposição passiva: quando o zagueiro adversário conduz para a lateral, o atacante fecha o retorno ao goleiro, o meia sai no lateral e o volante encaixa no meio-campista mais próximo. Abrir na prancheta tática ↗

5. Bola parada e finalização leve (12 min)

Revise duas jogadas de escanteio ofensivo e a organização defensiva no escanteio contra, caminhando antes e depois em ritmo de jogo, duas vezes cada. Termine com finalizações leves de fora da área, sem disputas, para todos saírem do campo com a sensação de bola na rede. O treino acaba antes de o grupo pedir para acabar.

O recado final da véspera cabe em dois minutos: horário de chegada, uniforme, quem começa jogando (se o treinador anuncia na véspera) e uma ou duas ideias do plano de jogo, não mais. Na base, vale lembrar o básico que os pais também precisam ouvir: dormir cedo, jantar e tomar café da manhã como em qualquer outro dia, sem comida nova, e levar garrafa de água. Para quem não vai começar jogando, uma frase individual do treinador, explicando o que se espera dele quando entrar, evita que a véspera vire frustração. O tom é calmo e objetivo; a motivação do dia do jogo fica para o vestiário.

Dia seguinte ao jogo (MD+1): dois treinos no mesmo campo

Separe o grupo pelo tempo jogado. Quem jogou mais de 60 minutos faz recuperação. Quem jogou menos de 45 minutos ou não jogou faz compensação, para não perder o estímulo de intensidade que o jogo daria. Quem ficou no meio, entre 45 e 60 minutos, faz a recuperação e participa só do primeiro bloco da compensação.

Grupo 1: recuperação (35 a 45 min)

  1. Conversa de 5 minutos: como cada um se sente, dores, sono. Pancadas e dores incomuns vão para avaliação.
  2. Trote leve ou bicicleta (10 min): intensidade de conversa, sem pressa.
  3. Mobilidade e ativação (10 min): quadril, tornozelo, coluna torácica, pontes de glúteo, prancha leve.
  4. Rondo leve 6x1 (8 min): toque livre, sem pressão intensa; serve para tocar na bola e descontrair.
  5. Fecho (5 min): alongamento suave e recados sobre hidratação, alimentação equilibrada com carboidrato e proteína nas refeições seguintes e sono. Na semana, o sono é a ferramenta de recuperação mais acessível que existe.

Grupo 2: compensação (45 a 55 min)

  • Aquecimento com bola (12 min): passe e condução, mobilidade, acelerações progressivas.
  • Jogo 5x5 com goleiros (30×25 m, 15 min): 4 blocos de 2 minutos e meio, pausa de 1 minuto e meio. Alta intensidade, muitas disputas e mudanças de direção, como no jogo.
  • Exposição a velocidade (8 min): 4 a 6 sprints de 20 a 30 m com bola ou atacando um passe em profundidade, com pausa completa. É o estímulo que mais falta a quem ficou no banco.
  • Finalização (10 min): 2x1 com goleiro, cada jogador finaliza 6 a 8 vezes.
  • Força preventiva (opcional, 8 min): exercício nórdico, adutores, panturrilha, para quem já faz rotina de força.
Compensação: 5x5 com goleiros 30×25 m Time A Adversário Passe Infiltração / corrida Pressão
Esquema 4. Compensação para quem jogou pouco: 5x5 com goleiros em 30×25 m. Muitas disputas, acelerações e mudanças de direção em blocos curtos aproximam o estímulo do jogo. Abrir na prancheta tática ↗
MD+1: dois grupos no mesmo campo Recuperação Compensação A T Time A Adversário Treinador Passe Infiltração / corrida
Esquema 5. Organização do dia seguinte ao jogo no mesmo campo: titulares em recuperação leve com rondo junto ao treinador auxiliar, reservas em compensação com jogo 5x5 e sprints atacando a profundidade. Abrir na prancheta tática ↗

Fechar um ciclo de treinos com um torneio interno ou um festival com escolinhas vizinhas dá aos atletas um objetivo e muitos minutos de jogo. O gerador de tabela de torneio monta os jogos e os horários em minutos, sem cadastro, e o artigo como organizar um campeonato de futebol ajuda a escolher o formato.

Erros comuns e como corrigir

  • Véspera longa demais: 90 minutos de treino “porque o time não está bem” deixam as pernas pesadas no jogo. Corte o volume, mantenha só o essencial.
  • Novidade tática na véspera: muda a cabeça do jogador e gera insegurança. As mudanças entram até o MD-3; na véspera só se revisa.
  • Mesmo treino para todos no dia seguinte: quem jogou 90 minutos fica sobrecarregado e quem ficou no banco perde ritmo. A divisão por tempo jogado resolve os dois problemas.
  • Regenerativo virando pelada: a recuperação termina num jogo intenso “só para brincar”. Se houver jogo, que seja de toque livre, sem disputa e com espaço grande.
  • Ignorar o relato do jogador: dor que muda a forma de correr não é cansaço normal. Afaste do treino e encaminhe para avaliação.

Como adaptar à sua realidade

  • Time amador com dois treinos por semana (terça e quinta): a quinta faz o papel de MD-1 se o jogo for no sábado; se for no domingo, mantenha a quinta mais forte e use 15 minutos de ativação antes do jogo como “véspera”.
  • Base (sub-15 e sub-17): o MD+1 de recuperação pode ser substituído por folga, se o jogo foi intenso e a semana escolar é pesada. A compensação continua importante para quem não jogou, principalmente para não desmotivar.
  • Torneio com jogos em dias seguidos: cada dia entre jogos é ao mesmo tempo MD+1 e MD-1. Fique com mobilidade, rondo leve, revisão de bola parada e 20 minutos no total.
  • Sem auxiliar: comece pelos dois grupos juntos no aquecimento e deixe o grupo de recuperação fazer a mobilidade com um capitão enquanto você conduz o jogo de compensação.

Para ver como essas sessões se encaixam na semana e na temporada, leia periodização tática e modelo de jogo e planejamento da temporada. Para o aquecimento do próprio dia do jogo, veja aquecimento futebol infantil.

Perguntas frequentes

O que treinar na véspera do jogo de futebol?

Uma sessão curta, de 45 a 55 minutos: aquecimento com bola, rondo, alguns esforços curtos de velocidade com pausa completa, revisão do plano tático sem oposição real e bola parada. O objetivo é chegar ao jogo descansado e com a cabeça ligada, não melhorar a forma física.

Como fazer o treino regenerativo depois do jogo?

Trote leve ou bicicleta, mobilidade, um rondo de toque livre e conversa sobre sono, hidratação e alimentação, em 35 a 45 minutos. A intensidade deve ser baixa; se o treino terminar com o grupo cansado, deixou de ser regenerativo.

O que é treino de compensação no futebol?

É o treino do dia seguinte ao jogo para quem jogou pouco ou não jogou. Com jogos reduzidos intensos, sprints e finalização, ele repõe parte do estímulo que o jogo daria, para que o reserva não perca ritmo em relação aos titulares.

Como fazer o aquecimento antes do jogo de futebol?

De 20 a 25 minutos: corrida leve e mobilidade, passe em movimento, rondo, acelerações progressivas e algumas finalizações, terminando 5 a 10 minutos antes do início. Em dias muito quentes, encurte e faça na sombra o que puder ser feito parado.