Treino de goleiro por idade: sessão para sub-11, sub-15 e adulto
Um treino de goleiro eficiente cabe dentro do treino do time: 25 a 30 minutos de trabalho específico enquanto os jogadores de linha fazem o aquecimento e o primeiro exercício, e depois o goleiro entra nos exercícios de finalização e no jogo, onde decide de verdade. A sessão abaixo tem a mesma estrutura para três idades (sub-11, sub-15 e adulto) e muda o que importa: tipo de queda, altura e força da bola, volume de saltos e exigência no jogo com os pés.
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Neste artigo
- Contexto: um treino de goleiro que cabe no treino do time
- Bloco específico 1: ativação, manejo e posição base
- Bloco específico 2: deslocamento e quedas, do sub-11 ao adulto
- Bloco específico 3: jogo com os pés
- Bloco integrado: cruzamentos, finalização e jogo final
- Como adaptar o treino de goleiro à sua realidade
Contexto: um treino de goleiro que cabe no treino do time
Na maioria das escolinhas e times amadores do Brasil não existe preparador de goleiros. O treinador tem 18 a 22 jogadores, dois ou três goleiros e 75 a 90 minutos de campo. O erro mais comum é deixar o goleiro “se aquecendo” sozinho com chutes de qualquer jeito, ou colocá-lo no gol durante uma hora de finalizações sem nenhuma orientação. Nos dois casos ele treina pouco e se cansa muito.
A proposta aqui é dividir a sessão em dois blocos. No bloco específico (25 a 30 min), o goleiro trabalha manejo, deslocamento, quedas e jogo com os pés, conduzido pelo treinador auxiliar, por um pai preparado ou pelo próprio goleiro mais velho. No bloco integrado, ele entra no exercício de finalização ou de cruzamento do time e no jogo final, com objetivos próprios combinados antes.
| Parte | Tempo | Sub-11 | Sub-15 | Adulto |
|---|---|---|---|---|
| Ativação e manejo | 10 min | Encaixe com bola leve, de pé e ajoelhado | Encaixe em W e baixo, com deslocamento | Manejo com reação e bola mais forte |
| Deslocamento e quedas | 12 min | Quedas a partir dos joelhos, bola rasteira | Queda completa, bola a meia altura | Queda com passo de ataque e reposição |
| Jogo com os pés | 8 min | Receber, dominar, passar para o lado livre | Receber sob pressão de 1 atacante | Escolher entre curto, médio e longo |
| Integração: finalização ou cruzamento | 15 min | Chutes de fora da área e 1x1 | Cruzamentos simples e saídas | Cruzamentos, segunda bola, comunicação |
| Jogo final | 20 min | Futebol 7 ou society com saída pelo goleiro | Jogo com zona de construção protegida | Jogo com pressão alta do adversário |
Material para o bloco específico: 6 a 8 bolas, 6 cones, dois colchonetes (para o sub-11, se o campo for duro) e, de preferência, luvas do tamanho certo. No sub-11, bola de tamanho 4; nas categorias seguintes, a bola oficial da competição.
Bloco específico 1: ativação, manejo e posição base
O objetivo é ensinar (ou relembrar) a posição base e o encaixe antes de qualquer queda. Posição base: pés na largura dos ombros, peso na parte da frente dos pés, joelhos levemente flexionados, mãos à frente do corpo, na altura da cintura. Encaixe: bola baixa com o corpo atrás e as mãos “em concha”; bola à altura do peito trazida ao corpo; bola acima da cabeça com as mãos em W, polegares quase se tocando.
Manejo com dois servidores (área de 16×12 m, 1 a 3 goleiros, 10 min)
- Organização: goleiro no gol, treinador a 8–10 m de frente e um segundo servidor (outro goleiro) a 10 m em diagonal.
- Regras: o treinador alterna bola baixa, média e alta com as mãos ou com chute fraco; o goleiro encaixa, devolve e se recoloca. Em seguida o servidor da diagonal chuta, obrigando a ajustar a posição ao ângulo.
- Volume: 3 séries de 8 bolas por goleiro, com 30 segundos de pausa. No sub-11, de joelhos nas primeiras 8 bolas.
- Facilitar: bola jogada com a mão. Dificultar: o goleiro começa de costas e vira ao sinal; ou uma segunda bola logo depois da primeira.
O que dizer: “corpo atrás da bola”, “bola no peito, não no rosto”, “volta para a posição base antes do próximo”. Erro comum: espalmar bolas que dava para encaixar. Rebote que fica na área é gol do adversário em qualquer idade.
Bloco específico 2: deslocamento e quedas, do sub-11 ao adulto
Queda é técnica, não coragem. A criança que cai “de qualquer jeito” se machuca, perde a confiança e passa a evitar a bola. Por isso a progressão é a parte mais importante deste treino de goleiro.
- Sub-11: queda a partir dos joelhos, depois de cócoras, sempre para o lado e caindo sobre a lateral do corpo (quadril, costela, ombro), nunca sobre o cotovelo. Bolas rasteiras e à meia altura, perto do corpo.
- Sub-15: queda completa a partir da posição base, com passo lateral curto antes de cair. Começa a trabalhar bolas a meia altura e o voo simples, sempre com volume controlado.
- Adulto: passo de ataque na direção da bola (diagonal à frente), queda, reposição rápida e segunda bola.
Deslocamento entre cones e queda (gol + 2 cones, 12 min)
- Organização: dois cones a 1 m de cada trave, dentro do gol. O goleiro começa no centro, em posição base.
- Regra: ao sinal, desloca-se lateralmente (sem cruzar as pernas) até tocar um cone; o treinador serve imediatamente para o lado oposto e o goleiro cai para defender.
- Volume: sub-11: 2 séries de 6 quedas por lado. Sub-15: 3×6. Adulto: 3×8. Pausa de 45 a 60 segundos entre séries; quedas cansam mais do que parecem.
- Variantes: servir com o pé, servir à meia altura, colocar um atacante passivo à frente para tapar a visão (a partir do sub-15).
Bloco específico 3: jogo com os pés
O goleiro participa com os pés muito mais do que com as mãos. Além disso, as Leis do Jogo passaram a punir com escanteio o goleiro que segura a bola nas mãos por mais de oito segundos (mudança da IFAB para 2025/26), e para 2026/27 a contagem visual de cinco segundos foi estendida ao tiro de meta demorado. Ou seja: decidir rápido virou parte do treino de goleiro.
Recuo, domínio e saída (meia-lua da área, 2 zagueiros + 1 atacante, 8 min)
- Organização: goleiro no gol, dois zagueiros abertos na largura da área e um atacante na entrada da área. Dois minigols nas laterais, a 25 m do gol, são o alvo dos zagueiros.
- Regra: um zagueiro recua para o goleiro; o atacante pressiona; o goleiro domina orientado para longe do atacante e passa para o zagueiro livre, que conduz até o minigol.
- Volume: 10 a 12 ações por goleiro. Atacante muda a cada 3 ações.
- Por idade: no sub-11, atacante passivo e domínio livre; no sub-15, atacante ativo; no adulto, dois toques no máximo e opção de bola longa para um terceiro jogador no meio.
Perguntas ao goleiro: “de que lado vem a pressão?”, “onde está o companheiro livre antes de a bola chegar?”. Erro comum: dominar para dentro, na direção do atacante, ou dar o chutão em toda bola. No futsal, a lógica é a mesma, com uma diferença importante: o goleiro não pode controlar a bola por mais de quatro segundos na própria metade.
Fechar um ciclo de treinos com um torneio interno ou um festival com escolinhas vizinhas dá aos atletas um objetivo e muitos minutos de jogo. O gerador de tabela de torneio monta os jogos e os horários em minutos, sem cadastro, e o artigo como organizar um campeonato de futebol ajuda a escolher o formato.
Bloco integrado: cruzamentos, finalização e jogo final
Agora o goleiro treina com o time. O treinador principal combina com ele um objetivo para os próximos 35 minutos: “comunicar em todo cruzamento”, “sair jogando curto sempre que possível”, “posição antes do chute”. Sem objetivo, o goleiro vira apenas alvo.
Cruzamento e saída do goleiro (área + corredor lateral, 6 a 8 jogadores, 15 min)
- Organização: um cruzador por lado, dois atacantes atacando primeira e segunda trave, um zagueiro e o goleiro.
- Regra: o cruzador conduz até a linha de fundo e cruza; o goleiro decide entre sair (encaixe ou soco) ou ficar, e avisa em voz alta: “goleiro!” ou “fica!”.
- Por idade: sub-11 com cruzamento rasteiro ou com a mão (o treinador lança); sub-15 com cruzamento alto simples e sem disputa forte; adulto com disputa real e segunda bola na entrada da área.
- Volume: 12 a 16 cruzamentos por goleiro, alternando lados.
Jogo final com zona de construção protegida (20 min)
Jogo de futebol 7, society ou campo reduzido. Todo reinício (tiro de meta e bola nas mãos do goleiro) é feito pelo goleiro, e o adversário só pode entrar na zona de construção depois do primeiro passe. Isso dá ao goleiro tempo para olhar e escolher. No sub-15 e no adulto, a zona é retirada no segundo tempo do jogo e o adversário passa a pressionar alto.
Como adaptar o treino de goleiro à sua realidade
- Só um treinador: deixe a ativação de manejo com os goleiros em dupla (um serve, o outro defende) enquanto o time faz um rondo sozinho. Passe 5 minutos com eles na queda e depois integre-os ao exercício do time.
- Um só goleiro: o próprio treinador serve; nas finalizações, limite a 25–30 chutes por bloco e dê pausas a cada 6 ou 8 chutes.
- Goleiros de idades diferentes: o mais velho serve o mais novo. Ensinar também consolida a técnica de quem ensina.
- Futsal na quadra: quedas mais curtas e rápidas, defesas com os pés e em posição de bloqueio (joelho no chão, perna aberta), reposição com as mãos e participação como jogador de linha. Bola de futsal tem quique reduzido; treine sempre com ela.
- Society: o goleiro joga muito adiantado e com os pés. Aumente o bloco de jogo com os pés e reduza o de cruzamentos altos.
Quer mais exercícios específicos por posição? Veja treino de goleiro, saída de bola sob pressão e saída de bola no futsal.
Perguntas frequentes
Com que idade começar o treino de goleiro específico?
Até por volta dos 10 anos, o ideal é que todas as crianças passem pelo gol em rodízio e aprendam posição base, encaixe e quedas simples. Do sub-11 em diante, quem demonstra interesse pode ter 20 a 30 minutos de treino específico por sessão, sem deixar de jogar na linha às vezes.
Quais são os melhores exercícios para goleiro infantil?
Encaixe com bola leve, quedas a partir dos joelhos, deslocamento lateral com toque nos cones e jogos de 1x1 contra o goleiro. Sempre com bola tamanho 4, pouca altura e chão macio. Volume baixo e muitos acertos mantêm a confiança.
Quanto tempo deve durar o treino específico de goleiro?
Dentro de um treino de time, 25 a 30 minutos de trabalho específico mais a participação nos exercícios de finalização e no jogo. Em sessões só de goleiros, 45 a 60 minutos são suficientes, com pausas frequentes, porque quedas e saltos acumulam carga.
O treino de goleiro de futsal é diferente do de campo?
É. No futsal as defesas são mais curtas e rápidas, muitas vezes com os pés ou em posição de bloqueio, a reposição é feita com as mãos e o goleiro participa como jogador de linha. Ele também tem só quatro segundos para controlar a bola na própria metade da quadra.
O goleiro pode segurar a bola quanto tempo?
No futebol de campo, desde a mudança da IFAB para 2025/26, o goleiro que segura a bola nas mãos por mais de oito segundos é punido com escanteio para o adversário. Competições de base podem ter regras próprias, então vale conferir o regulamento.
Fontes
Verificado em outubro de 2026. Regras e categorias variam por federação e por temporada; confira o regulamento local.