Calor e hidratação no futebol: cuidados em jogos e torneios
Calor e hidratação são assuntos sérios no futebol brasileiro, sobretudo na base. Crianças esquentam e perdem líquido mais rápido do que adultos, e torneios com vários jogos no mesmo dia aumentam o risco. As medidas que funcionam são conhecidas: horários mais frescos, água sempre disponível, pausas para beber, sombra e atenção aos sinais de alerta. Abaixo, o que dizem as orientações oficiais e como aplicá-las em treinos, jogos e torneios.
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Neste artigo
Por que o calor exige cuidado no futebol de base
Em 2024, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou uma nota de alerta sobre atividade física de crianças e adolescentes em temperaturas elevadas. O documento lembra que, nas crianças, tanto a perda quanto o ganho de calor são mais acelerados, o que as deixa mais vulneráveis à desidratação e à hipertermia. Lembra também que o Brasil tem regiões com calor forte durante a maior parte do ano.
Entre os fatores de risco citados pela SBP estão alguns que aparecem com frequência no futebol de base:
- Atividades longas (mais de duas horas) ou de alta intensidade.
- Pouco tempo de recuperação entre esforços repetidos.
- Vários jogos de torneio no mesmo dia.
- Roupas e uniformes que retêm calor.
- Pouco sono, doença recente (gripe, diarreia) e falta de adaptação ao calor.
O calor não depende só da temperatura do ar. Umidade e sol direto pesam muito. Por isso, as entidades esportivas usam o IBUTG (Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo, ou WBGT em inglês), que combina temperatura, umidade e radiação solar.
Horários, sombra e roupas
A primeira medida é a mais simples: evitar os horários mais quentes. A SBP aponta o período entre 10h e 15h como o mais crítico em dias muito quentes. Para treinos e torneios de base, isso significa preferir o início da manhã e o fim da tarde, ou o ginásio coberto no caso do futsal.
- Sombra para todos: tendas, árvores ou arquibancada coberta para os times entre os jogos.
- Roupas leves e claras, que facilitem a transpiração, como recomenda a SBP. Coletes de treino só durante a atividade.
- Protetor solar em atividades ao ar livre, reaplicado a cada duas horas.
- Boné para quem fica no banco e na arquibancada.
- Adaptação gradual no início da temporada ou depois das férias: intensidade menor nos primeiros dias de calor.
Hidratação no futebol: antes, durante e depois
A SBP orienta que os líquidos estejam facilmente acessíveis e sejam consumidos em intervalos regulares, antes, durante e depois da atividade. Para crianças de 9 a 12 anos, a nota cita como referência geral a oferta de 100 a 250 ml a cada 20 minutos de atividade. O ponto prático é que a criança não deve depender da sede: ela se distrai e esquece de beber.
| Momento | O que fazer |
|---|---|
| Antes do treino ou jogo | Chegar bem hidratado; beber água ao longo da manhã ou da tarde |
| Durante | Pausas programadas para beber; garrafa individual à mão |
| Intervalo e entre jogos | Água, frutas com muita água, sombra |
| Depois | Continuar bebendo água e fazer a refeição normal |
Na maior parte das situações, água é suficiente. A SBP indica bebidas com eletrólitos e carboidratos para treinos ou competições prolongadas (mais de uma hora e meia) ou repetidas, como um dia inteiro de torneio. Beber em excesso também pode fazer mal: inchaço nas mãos e pés, náusea e mal-estar em eventos longos são sinais que pedem avaliação.
Para o que comer e levar no dia do torneio, veja lanche no dia do torneio.
Pausa para hidratação: o que dizem CBF e FIFA
No futebol profissional, existem regras de pausa que servem de referência para a base:
- CBF: o Regulamento Geral de Competições prevê a pausa para hidratação quando a temperatura passa de 28 °C, de preferência por volta dos 20 minutos de cada tempo. O árbitro também pode autorizá-la abaixo desse limite, se avaliar que o calor afeta os atletas. Confira a edição em vigor e o regulamento da sua federação estadual.
- FIFA: prevê pausas de resfriamento por volta dos 30 e dos 75 minutos quando o IBUTG passa de 32 °C.
- FIFPRO (sindicato internacional de jogadores): recomenda pausas de resfriamento a partir de 28 °C de IBUTG e o adiamento de jogos e treinos acima de 32 °C.
Na base, com jogos mais curtos e crianças mais vulneráveis, faz sentido ser mais cuidadoso do que o profissional: prever pausas em todos os jogos em dias quentes, reduzir a duração das partidas e, em casos extremos, mudar horários ou adiar. Medidores de IBUTG portáteis não são caros e ajudam a decidir com critério, em vez de no achismo.
Sinais de alerta e o que fazer
Técnicos, organizadores e pais devem reconhecer cedo os sinais de problema. A SBP lista, entre outros: cansaço antecipado, queda de desempenho, dor de cabeça, mudança de comportamento, tontura, mal-estar, vermelhidão ou palidez, suor intenso, cãibras. Sede intensa, boca seca e coração muito acelerado indicam desidratação.
Diante desses sinais, a orientação da SBP é priorizar o resfriamento do corpo:
- Interromper a atividade imediatamente.
- Levar a criança para um local com sombra e ventilado.
- Afrouxar roupas e tirar chuteiras e meiões.
- Aplicar toalhas molhadas ou bolsas de gelo na virilha e nas axilas.
- Oferecer água se ela estiver consciente e conseguir beber.
- Acionar atendimento de urgência se houver confusão, desmaio, vômitos ou se a criança não melhorar rapidamente.
Se ignorados, esses quadros podem evoluir para colapso pelo calor, que é uma emergência. Não espere o fim do jogo para agir.
O que a organização do torneio deve prever
Grande parte da prevenção depende de quem organiza. Uma lista mínima para torneios de verão:
- Tabela com os jogos nos horários mais frescos e intervalos de recuperação entre os jogos de um mesmo time.
- Pontos de água potável para encher garrafas, perto de cada campo.
- Áreas de sombra para times e torcida.
- Pausa para hidratação em cada tempo, definida no regulamento.
- Duração de jogo reduzida em dias de calor extremo, prevista no regulamento.
- Equipe de primeiros socorros identificada, com gelo, toalhas e telefone de emergência.
- Critério claro de suspensão (por exemplo, a partir de certo IBUTG) e responsável pela decisão.
O técnico também tem papel: fazer o rodízio de jogadores para dividir o esforço, observar quem está bebendo pouco e tirar do jogo quem mostrar sinais de alerta, mesmo que seja o melhor do time.
Perguntas frequentes
Quando deve haver pausa para hidratação no futebol?
O Regulamento Geral de Competições da CBF prevê a pausa quando a temperatura passa de 28 °C, e o árbitro pode autorizá-la abaixo disso. Na base, é prudente prever pausas em todos os jogos em dias quentes. Confira sempre o regulamento da sua competição.
Quanta água uma criança deve beber jogando futebol?
A Sociedade Brasileira de Pediatria cita como referência, para crianças de 9 a 12 anos, de 100 a 250 ml a cada 20 minutos de atividade. O mais importante é ter água à mão e fazer pausas regulares, sem esperar pela sede.
Quais são os sinais de desidratação no futebol?
Sede intensa, boca seca, coração acelerado, cansaço fora do normal, dor de cabeça, tontura e queda de desempenho. Diante desses sinais, interrompa a atividade, leve a criança para a sombra e ofereça água.
Qual o melhor horário para jogar futebol no calor?
No início da manhã ou no fim da tarde. A SBP aponta o período entre 10h e 15h como o mais crítico em dias muito quentes.
Criança precisa de isotônico no futebol?
Na maioria das vezes, não; água basta. A SBP indica bebidas com eletrólitos para atividades prolongadas, acima de uma hora e meia, ou repetidas ao longo do dia, como em torneios.
Fontes
Verificado em outubro de 2026. Regras e categorias variam por federação e por temporada; confira o regulamento local.