Respeito ao árbitro no futebol de base: jogadores, pais e técnicos
O respeito ao árbitro no futebol de base não depende de campanhas, depende do que acontece em cada jogo: do técnico que não grita na beira do campo, do jogador que segue para a próxima jogada e dos pais que torcem sem xingar. Este texto explica o que dizem as regras, por que a base precisa de árbitros jovens, o que fazer depois de uma decisão errada e como levar o tema para o treino.
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Neste artigo
Por que o respeito ao árbitro começa na base
Crianças aprendem o comportamento no jogo observando os adultos. Se o técnico reclama de cada lateral, os jogadores vão reclamar. Se os pais xingam o árbitro na arquibancada, a criança entende que o erro do outro justifica qualquer reação. O contrário também vale: um time que joga sem reclamar costuma ser um time mais concentrado.
Há também uma questão prática. Muitos campeonatos de base, ligas de society e torneios de escolinha dependem de árbitros iniciantes, às vezes adolescentes. Quando eles são agredidos verbalmente, desistem. Sem árbitros, não há jogos. Proteger quem apita é proteger o próprio campeonato.
- Para o jogador: quem reclama perde a concentração na jogada seguinte.
- Para o técnico: o comportamento dele define o clima do time.
- Para o clube: time conhecido por reclamar sofre com súmulas, punições e com a reputação.
O que dizem as regras
As Regras do Jogo da IFAB, seguidas pela CBF e pelas federações estaduais, são claras em dois pontos que todo time de base deveria conhecer:
- As decisões do árbitro sobre fatos do jogo são finais (Regra 5). Isso inclui se foi gol ou não e o resultado da partida. Reclamar não muda a decisão.
- Desaprovar decisões com palavras ou gestos é motivo de cartão amarelo (Regra 12). Insultar ou usar linguagem ofensiva é motivo de expulsão.
Os regulamentos de campeonatos de base costumam acrescentar regras sobre o comportamento do técnico e da comissão, e alguns preveem punições para o clube quando há problemas na arquibancada. Como isso varia de federação para federação e de liga para liga, vale ler o regulamento da competição antes da temporada e explicar os pontos principais ao grupo e aos pais.
Árbitros jovens e iniciantes
Nos jogos de categorias menores, é comum que o árbitro esteja em formação, seja um professor do clube anfitrião ou até um pai voluntário. Ele vai errar, como erram jogadores e técnicos. A diferença é que o erro dele é visto por todos.
Algumas atitudes simples ajudam:
- Cumprimentar o árbitro antes e depois do jogo, técnico e capitão juntos. Esse contato reduz a tensão.
- Avisar sobre particularidades: tempo de jogo, regra de substituições, tamanho da bola. Árbitro bem informado erra menos.
- Não pressionar na saída do campo. Se houver algo a tratar, o caminho é o responsável pela competição, por escrito e depois do jogo.
- Agradecer, mesmo depois de uma derrota. Parece pouco, mas é o que faz o árbitro jovem voltar no fim de semana seguinte.
Se o clube tem jogadores adolescentes interessados em arbitragem, vale incentivar. Apitar jogos de categorias menores, com acompanhamento, ensina as regras de dentro para fora e cria uma geração que entende o outro lado.
Depois de uma decisão errada
O momento mais difícil é quando o erro é evidente e prejudica o time. É justamente ali que o exemplo conta. Uma rotina combinada antes, para cada um, evita reações impulsivas.
| Quem | O que fazer | O que evitar |
|---|---|---|
| Jogador | Voltar à posição e pensar na próxima jogada | Cercar o árbitro, gestos, ironia |
| Capitão | Perguntar com calma, uma vez, se necessário | Discutir na frente de todos |
| Técnico | Respirar, anotar e corrigir o que depende do time | Gritar, entrar no campo, falar com o árbitro no intervalo em tom de cobrança |
| Pais | Seguir torcendo pelo time | Xingar, comentar o árbitro durante o jogo |
No vestiário ou na conversa depois do jogo, o técnico pode reconhecer o erro sem transformar o árbitro em culpado: “aquele lance foi mal marcado, acontece; o que dependia da gente foi isso, isso e isso”. A mensagem que fica é que o time controla o que pode controlar.
Como o técnico dá o exemplo
O técnico é a referência mais forte. Se ele mantém a calma, o grupo segue. Algumas práticas ajudam a sustentar essa postura ao longo da temporada:
- Ficar na área técnica e orientar o próprio time, não o árbitro.
- Fazer um acordo com a comissão técnica: um avisa o outro quando a irritação começa.
- Falar sobre arbitragem na reunião de pais do início da temporada, explicando as regras internas.
- Valorizar publicamente o jogador que segue jogando depois de um lance polêmico.
- Assumir os próprios erros. Quando o técnico exagerar, pedir desculpas ao grupo ensina mais do que qualquer palestra.
O mesmo vale para o comportamento com o adversário. Veja também o texto sobre fair play no futebol de base.
Levar o tema para o treino
Respeito também se treina. Três ideias simples, que cabem na parte final de qualquer sessão:
Jogo com árbitro do grupo
Organização: jogo de 5x5 ou 6x6 em meio campo, 15 minutos divididos em blocos de 3. A cada bloco, um jogador diferente apita, com apito e cartões. Regra: ninguém pode contestar; quem reclama sai por um minuto. Foco: depois do jogo, perguntar a quem apitou como foi decidir sem ver todos os lances.
Jogo sem árbitro
Organização: jogo reduzido sem ninguém apitando. Os próprios jogadores marcam faltas, laterais e escanteios. Regra: em caso de dúvida, o lance é decidido em pedra, papel e tesoura entre os dois jogadores envolvidos. Foco: honestidade e rapidez para retomar o jogo.
Árbitro que erra de propósito
Organização: o técnico apita um jogo reduzido e, combinando com um auxiliar, marca três ou quatro decisões erradas. Regra: o time que mantiver a calma ganha um gol extra no fim. Foco: treinar a reação ao erro, não só falar sobre ela. Funciona melhor a partir dos 10 ou 11 anos, quando os jogadores já entendem a proposta.
Perguntas frequentes
Jogador pode reclamar com o árbitro?
Pelas Regras do Jogo, desaprovar decisões com palavras ou gestos é motivo de cartão amarelo. O capitão pode conversar com o árbitro com calma, mas a decisão sobre um fato de jogo não muda por causa de reclamação.
O que fazer quando o árbitro erra contra o meu time?
Durante o jogo, seguir jogando e cuidar do que depende do time. Se houver algo grave a tratar, o caminho é o responsável pela competição, por escrito e depois da partida, sem pressão sobre o árbitro.
Como ensinar crianças a respeitar o árbitro?
Pelo exemplo dos adultos, com regras claras no time (só o capitão fala com o árbitro) e com atividades no treino, como jogos em que os próprios jogadores apitam. Valorizar quem segue jogando depois de um lance polêmico também ajuda.
Técnico pode tomar cartão?
Sim. As Regras do Jogo preveem advertência e expulsão também para membros da comissão técnica por comportamento irresponsável. Os regulamentos das competições podem acrescentar outras punições; confira o da sua liga ou federação.
Fontes
Verificado em outubro de 2026. Regras e categorias variam por federação e por temporada; confira o regulamento local.